Titulo: O doador de memórias / Autor: Lois Lowry / Ano: 2014 / Páginas: 190 / Editora: Arqueiro / Nota: ♥♥♥♥
Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo
aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem
qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou
alegria genuína. | Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos
com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o
presente o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram
apagados da mente. | Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião
dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao
mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da
sociedade em momentos difíceis. | Aos 12 anos, idade em que toda criança
é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se
tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um
treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas
não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. | Orientado pelo
velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário
que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível
realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.
Com a mão ainda firmemente pousada no ombro de Jonas, a Anciã-Chefe enumerou suas qualidades.
– Inteligência – disse ela – todos estamos cientes de que Jonas tem sido um excelente aluno durante a sua vida escolar.
Fez uma grande pausa e citou em seguida:
– Integridade. Jonas, como todos nós, cometeu pequenas transgressões. –
sorriu para ele – já esperávamos por isso. Esperávamos, também, que se
apresentasse prontamente para receber punição, o que ele sempre fez.
E prosseguiu:
– Coragem. Apenas um de nós aqui hoje passou pelo rigoroso treinamento
que a função de Recebedor exige. E essa pessoa é, inegavelmente, o
membro mais importante do Comitê: o atual Recebedor. Foi ele quem nos
lembrou repetidamente da necessidade da coragem. Jonas – a disse,
virando-se para ele, mas falando numa voz que a comunidade inteira podia
ouvir -, o treinamento exigido de você envolve dor. Dor física.

 
Eu devorei o livro em menos de vinte e quatro horas! se eu tivesse que descrever ele em uma palavra seria cativante ♥ Jonas é um garoto muito gentil que mal tem ideia do poder que terá, que mal têm ideia das coisas por trás da sua cidade perfeita, onde nem tudo é tão perfeito assim, onde uma Utopia é na verdade uma Distopia, onde ninguém pode fazer suas próprias escolhas e nem se dá conta disso e Jonas é um menino cheio de coragem que vai perceber tudo isso.
“Se tudo é sempre o mesmo, então não há escolhas! Quero acordar de manhã
e decidir coisas! Hoje vou vestir uma túnica azul o uma vermelha. Mas é
tudo igual, sempre.”
Um lugar onde falta amor e a alegria é apenas uma ilusão. O livro não foca na construção do universo, mas no desenvolvimento do personagem, os aspectos da distopia são percebidos em diálogos simples. Eu não aguentaria viver em um mundo tão regrado, por isso me irritei com várias partes do livro, todas as manhãs ter de contar sobre sonhos, todas as noites ter de contar sobre seu dia e sobre seus sentimentos, viver em um mundo onde não podemos guardar coisas para nós mesmos? É eu não conseguiria.
“– Vocês me amam?
Seguiu-se um silêncio embaraçoso por um momento. Então o Pai deu uma risadinha.
– Jonas, logo você! Precisão de linguagem, por favor!
– Como assim? – perguntou Jonas. Risadas não eram absolutamente o que havia esperado.
– Seu pai está querendo dizer que você se expressou de forma muito
generalizada, com uma palavra tão sem sentido que já se tornou quase
obsoleta – explicou-lhe sua mãe em tom cuidadoso.
Jonas os fitou. Sem sentido? Ele nunca havia vivenciado nada mais significativo e tão cheio de sentido do que aquela lembrança.
– E é claro que nossa comunidade não pode funcionar direito se as
pessoas não usarem uma linguagem precisa. Você poderia perguntar: ‘Vocês
gostam de mim?’ A resposta é ‘Sim’ – disse sua mãe.
– Ou, então – sugeriu o seu pai –, ‘Vocês se orgulham dos meus talentos?’. E a resposta é, com toda a convicção, ‘Sim’.
– Compreende por que é inconveniente usar uma palavra como ‘amor’? – perguntou a Mãe. Jonas balançou a cabeça.
– Sim, obrigado, compreendo – respondeu lentamente.
Foi sua primeira mentira para os pais.”
O livro trás uma mensagem belíssima, todo deveriam ler ♥
“O pior de ser quem guarda as lembranças não é a dor que se sente. É a solidão. As lembranças precisam ser partilhadas.
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Comentários

[ Livro ] O Doador de Memórias – Lois Lowry

  1. Oi Cecília! Assisti o filme e já o amo. Preciso sinceramente ler logo esse livro. Só escuto bons elogios, e estou ansiosa. Seu cantinho é lindo! E os quotes que você selecionou são perfeitos! Sua resenha ficou ótima, e você escreve muito bem! Mil beijos.
    entreumlivroe-outro.blogspot.com

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