Titulo: Neuromancer / Autor: William Gibson / Série: Trilogia do Sprawl / Ano: 1984 / Editora: Aleph / Páginas: 320 / Nota: ♥♥♥♥♥

Na minha infância uma das minhas sagas cinematográficas favoritas foi “Matrix”, mal eu sabia que o filme se baseava no universo construído por Gibson, também criador do alicerce para o gênero “Cyberpunk”, anos depois em uma Bienal do livro, meu namorado me mostra todo empolgado o que encontrou, na época não dei muita bola, nunca havia ouvido falar do livro que já comemorava 30 anos, depois de um tempo e muita insistência dele é claro, eu peguei o livro emprestado e mergulhei no universo do Sprawl.

“Um
ano ali e ele ainda sonhava com o ciberespaço, a esperança morrendo um
pouco a cada noite. Todo o speed que tomou, todas as voltas que deu e as
esquinas de Night City por onde passou, e ainda assim ele via a matrix
em seu sono, grades brilhantes de lógica se desdobrando sobre aquele
vácuo sem cor… O Sprawl ficava agora a um longo e estranho caminho de
distância sobre o Pacífico, e ele não era mais nenhum cara do console,
nenhum cowboy de ciberespaço. Apenas mais um marginal na viração. Mas os
sonhos apareciam na noite japonesa como figuras de vudu
eletroluminescente, e ele gritava, chorava dormindo, e acordava sozinho
no escuro, curvado em posição fetal em sua cápsula em algum
hotel-caixão, as mãos trincadas no colchonete, a espuma sintética
enroscada entre os dedos, tentando alcançar o console que não estava lá.”
Desde que eu comecei a leitura fiquei me perguntando, “porque não tenho mais livros de sci-fi?” de fato eu apenas via filmes e aprendi que na literatura esse gênero também funciona e de maneira brilhante, afinal ele ganhou três premio voltados para literatura de ficção cientifica. Matrix tem alguns elementos em comum com o livro, mas a pegada é bem diferente, Case nosso protagonista é convidado a participar de uma missão, em troca de continuar a viver. 
Case é um hacker endividado e viciado em todo tipo de droga, a trama toma rumo quando Molly propõe a Case remover todas as toxinas no corpo dele que o impedem de se conectar a Matrix e voltar a fazer seu trabalho de Hacker, mas tudo tem um preço, para isso ele teria de roubar informações e hackear o computador mais poderoso “Wintermute”.
No universo da trama existem dois planos o mundo real, físico e a Matrix que é o ciberespaço. Os hackers como case plugam eletrodos no cerebro para se conectar a Matrix , equipamento esse chamado “console”. 
“O céu por cima do porto tinha a cor de uma TV que saiu do ar.     
— Não é que eu queira — Case ouviu enquanto abria caminho pela multidão
que estava na porta do Chat. — Mas é como se o meu corpo tivesse
criado, por si mesmo, esta enorme dependência da droga.”
É claro que um universo tão rico inspirou muitos outros filmes como o “Repo Man” que fala sobre implementação de órgãos, para melhorar visão, olfato, etc. Têm muito disso no universo de Gibson, além de claro, punks e megacorporações dominando o mundo, Distopia pura.
Nesse mundo o real se confunde com o virtual,   uma bela maneira de apresentar um visão do futuro, 30 anos atrás. E sim, é um livro confuso, talvez eu não seja a melhor pessoa para resenhar ele, tive que ir e voltar várias vezes no glossário, mas ainda fiquei com aquele sentimento de que estava mal traduzido, ou mal interpretado pelo tradutor, ou por mim mesma, vai saber. O vocabulário é denso, o autor criou suas próprias gírias, é fácil se perder dentro da historia. Ainda quero ler a versão original, quando meu inglês estiver mais afiado haha.
Ao longo da leitura a trama se torna ainda mais complicada, se é que isso é possível. Eles descobrem que estão lidando com “IAs” Inteligencias artificais, personagens virtuais no comando da operação, Case não sabia em quem confiar, a não ser Molly.
Como eu já disse, a leitura é dificil e precisa de muita atenção, e é um livro para se ler com calma, no mais, Seja bem vindo a Matrix
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[ Livro ] Neuromancer – William Gibson

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