Sinopse: Setecentos e trinta e três dias depois da morte da minha mãe, 45 dias
após o meu pai fugir para se encontrar com uma estranha que ele conheceu
pela internet, 30 dias depois de a gente se mudar para a Califórnia e
apenas sete dias após começar o primeiro ano do ensino médio numa escola
nova onde conheço aproximadamente ninguém, chega um e-mail. Deveria ser
no mínimo esquisito, uma mensagem anônima aparecer do nada na minha
caixa de entrada, assinada com o bizarro nome Alguém Ninguém. Só que nos
últimos tempos a minha vida tem estado tão irreconhecível que nada mais
parece chocante.

“Éramos uma unidade feliz, três parecia um número bom, equilibrado. Cada
um de nós tinha um papel definido. O meu pai trabalhava e fazia a gente
ri. A minha mãe também trabalhava, mas em meio expediente, por isso era
uma pessoa central, a pacificadora da família e aquela que nos mantinha
unidos.”
Vou começar falando que o livro é muito gostoso de ler,eu simplesmente não conseguia parar e li em menos de uma semana. É uma
leitura para ser feita de maneira despretensiosa, não têm nada de muito surpreendente, é uma historia bem calminha.
O título remete a um jogo que Jessie e “Alguém Ninguém” fazem. Eles acabam por dizer
três coisas todos os dias, que um não sabe sobre o outro. As trocas de mensagens entre os personagens deixa a leitura bem leve.

O livro apesar de ser curtinho e bem leve, não se prende no clichê. A história de Jessie
passa a emoção de uma garota de apenas 16 anos se descobrindo enquanto não têm ninguém a quem recorrer para conselhos, o livro tem a bagagem completa: emoção,
amizade, descobertas e a aceitação de quem somos.
“Penso no antes, antes antes antes, e todos parecem dias perfeitos. Quem
se importa com uma topada no dedão ou uma meleca no nariz? Eu tinha uma
mãe, e não somente insira mãe genérica aqui, mas a minha mãe, que eu
amava de um jeito que não era comum. Quero dizer, sei em algum nível que
todo mundo ama a mãe por causa do negócio de ela ser sua mãe, mas eu
não a amava só por isso. Eu a amava porque ela era legal, interessante,
calorosa. Ela me ouvia e continuava a fazer panquecas na forma das
minhas iniciais porque de algum modo, apesar de eu não saber, ela sempre
soube que eu nunca ficaria velha demais para esse tipo de coisa. Eu amava a minha mãe porque ela leu toda a série do Harry
Potter em voz alta para mim; e, quando acabamos, ela quis reler.
Se há uma coisa que aprendi nos últimos dois anos é que a memória é
volúvel. Quando leio Harry Potter, não consigo mais escutar a voz da
minha mãe, mas a visualizo ao meu lado, e quando não consigo nem isso,
imagino o peso de alguém encostado em mim, um braço junto ao meu braço, e
finjo que é suficiente. Eu amava a minha mãe porque ela era minha. E eu era dela.
E essa coisa de pertencer uma à outra nunca mais vai se repetir na minha vida.
Os dias perfeitos são para pessoas com sonhos pequenos, possíveis de
serem realizados. Ou talvez para todos nós eles só aconteçam em
retrospecto: só são perfeitos agora porque contêm alguma coisa
irrevogável e irrecuperavelmente perdida.”

O livro também aborda alguns temas complicados, morte de alguém da família, adaptação social, bullying, mas a autora consegue mostrar que um livro não precisa ser triste ou pesado para debater
isso. A vida da Jessie é cheia de conflitos, mas ela é uma personagem
forte e divertida e consegue contornar os problemas,
amadurecendo e se tornar uma versão melhor de si mesma.
“Sou melhor escrevendo do que falando pessoalmente. Talvez essa seja a
minha chance de mostrar quem sou de verdade, diferente da otária
esquisita em que me transformo quando estou perto de gente que me deixa
nervosa.”
Mas sem duvidas minha coisa favorita no livro foi o
fato da autora não jogar um romance na minha cara logo no inicio. Os personagens começam a conversar normalmente, sem
segundas intenções e aos poucos o sentimento vai se desenrolando. Além disso, Jessie não fica totalmente apegada ao seu romance
virtual, assim o livro não se torna dependente nem arrastado pelo possível romance.

O livro realmente me deixou surpresa, quem acompanha minhas resenhas sabe que se têm uma coisa que me irrita é clichê e romance forçado, mas nesse quesito esse livro não peca! a historia se desenrola muito bem, mas não vou dar spoilers. E ai, me conta três coisas sobre você?

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